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Hospital/Clínica em Miranda do Corvo

Mais uma vez, a Fundação ADFP (Dr. Jaime Ramos) vem insurgir-se contra a posição do Bloco de Esquerda, em relação à construção de um Hospital/Clínica médico-cirúrgica, em Miranda do Corvo.

O núcleo do Bloco de Esquerda de Miranda do Corvo não está contra a existência de hospitais privados. O que não aceitamos é que eles sejam construídos com o apoio de dinheiros públicos ou que a sua exploração seja garantida com transferências de dinheiro do Serviço Nacional de Saúde. Recusamos veementemente a atual política de redução do investimento público dos hospitais do SNS, reclamamos sim que o dinheiro dos contribuintes seja melhor gerido e mais bem aplicado na modernização e humanização do Serviço Nacional de Saúde.

Da parte da Fundação ADFP há uma chantagem e um apontar o dedo que nada contribui para um processo claro e transparente em relação à construção do Hospital/Clínica médico-cirúrgica.

Na Região Centro temos vindo a assistir à redução de serviços de saúde pública. Infelizmente o Estado tem vindo a cortar, sem que haja um planeamento ou uma verdadeira preocupação com a saúde pública. Fazem-se cortes com metas puramente economicistas. Se em Coimbra, a 25Km de Miranda do Corvo, se faz a fusão de hospitais (CHUC), em que estudo se baseia a Fundação ADFP para a criação de um Hospital/Clínica em Miranda do Corvo?

Importa que se esclareça que se é cara a construção dum equipamento hospitalar, muitíssimo mais caro é mantê-la ano após ano. E, sobre isso, a Fundação é omissa. Importa por isso que se questione: quem e como seria financiado o seu funcionamento? Que parte da despesa do seu funcionamento seria custeada pela Fundação, pela Autarquia, pelo SNS?

Quais os critérios de recrutamento dos quadros técnicos a integrar neste hospital/clínica cirúrgica, nomeadamente médicos, enfermeiros e técnicos de saúde? Parceria com o CHUC, com profissionais a tempo integral? Ou contratação a tempo parcial de profissionais do SNS que assim acumulariam a sua atividade no SNS/CHUC com atividade privada, necessariamente a tempo parcial? E, se a tempo parcial, como seriam asseguradas 24 sobre 24 horas as necessidades assistenciais dos doentes internados e, nomeadamente, em pós-operatório? Quem asseguraria nas 24 horas do dia, sete dias/semana, as complicações pós-operatórias e as agudizações?

Outro aspeto que não pode ser ignorado está relacionado com os critérios de admissão de doentes a esta unidade. Se está aberto a doentes de outros concelhos, quais as garantias de admissão dos mirandenses quando a unidade estivesse lotada a 100%?

Que apoio laboratorial e imagiológico é previsto no projeto? Contará com uma unidade de recobro e serviços de sangue corretamente apetrechados e dimensionados? Esta unidade teria escala e suficiente diferenciação técnica para que os cuidados nela prestados fossem equiparáveis aos prestados no CHUC?

A verdade é que nada está assegurado em relação aos munícipes. Se por um lado há a ameaça que caso não haja aceitação por parte dos intervenientes políticos do concelho, a construção não se concretize, por outro lado nada se sabe o que isso realmente significará para o utente.

O Núcleo do Bloco de Esquerda de Miranda do Corvo sempre defendeu que os munícipes da autarquia mirandense, tal como os restantes portugueses, tenham acesso aos melhores cuidados de saúde.

Para uma decisão desta amplitude não basta ter-se uma ideia. É necessário ter-se um plano detalhado sobre a dimensão, equipamento, recursos humanos, modelo de funcionamento e forma de financiamento.

Sem estas respostas, tecnicamente sustentadas, corre-se o risco de uma ideia atraente se transformar num fracasso com todos os custos decorrentes e que, não duvidemos, cairão, no todo ou em parte, sobre os mirandenses.

Aguardamos por isso pelo Projeto, devidamente detalhado e tecnicamente sustentado, para podermos, então e só então, pronunciar-nos sobre o que, de momento, não passa de uma afirmação de vontade por parte da Fundação.